Dias cinzas #BEDA3

Por motivos de força maior, e que força, eu falhei miseravelmente no BEDA 2017. Aconteceu que, passei por uma TPM destruidora, daquelas que te coloca para chorar em posição fetal vendo comercial de margarina. Acordei  e estava tudo normal, tudo top, tudo suave, até que meu humor começou a oscilar de tal maneira que passei o resto do sábado, domingo e segunda, tentando entender o real sentido da vida, 
BUT, eu não vou desistir do BEDA, jamé  . Já me recuperei, fiz um lista de possíveis posts para os próximos 20 dias (segura na minha mão e vamo) 


Resumo da vida #BEDA02


Final do semestre chegou como quem chega chutando a porta. Vários trabalhos, poucos prazos e zero paciência. Comecei no estágio, seria lindo se não fosse trágico pegar um estágio no final do semestre. As coisas ficaram um pouco bagunçadas durante as ultimas semanas de julho, e em alguns momentos parecia que eu não ia consegui sobreviver, mas a gente sempre consegue. 

A cada correção de texto enviada pelos professores, sentia que progredia um pouco mais, mas ainda tenho alguns erros bobos na escrita. Minhas leituras resumiram-se em um livro do Antônio Prata, que eu carrego na bolsa para ler enquanto espero alguma coisa, gosto como as crônicas dele conseguem me acalmar. As sátiras e humor pela manhã me ajudaram nesses últimos dias. Preciso ler mais (anotar)A vida nem sempre é mil maravilhas né mores, então claro que teve dias daquele choro básico e daquela tpm maldita que pega a gente toda f#$@ para pior ainda mais a situação. 

Tirando toda a correria, fazia algum tempo que eu queria voltar a blogar, mas a vida adulta/jornalistica suga todas as minhas energias e acaba desanimando. Reconheço como é importante manter um cantinho para poder escrever por prazer, nem que seja uma frase, mas em minha defesa eu chegou muito cansada. Quero manter a frequência de posts pós BEDA, até porque é uma forma de treinar a minha escrita. 

Mesmo com semestre 2017/1 tendo acabado em agosto, dando apenas 2 semanas de férias, eu estou feliz. Aprendi que na vida nunca estaremos satisfeitos, e tudo bem. Hoje é o segundo dia do BEDA para mim e eu estou animada para voltar a escrever e pesquisar pautas que eu realmente queira escrever. A faculdade as vezes nos faz esquecer os motivos que nos fizeram chegar até aqui. Me lembrar sempre do que me fez vir até aqui (anotar) 



EU VOLTEI E VAI TER BEDA DE NOVO


Por incrível que pareça, e que triste parecer isso, eu não posto aqui faz algum tempo. Lendo os posts do melhor grupo de blogs old que você respeita, me senti animada a participar do BEDA. Ignorando o fato de ter sobrado só migalhas de mim nesse final de semestre, e que ainda estou indo para estágio e meu inglês volta hoje, eu resolvi topar esse desafio. Veja que já comecei errado, mas ok. 
O BEDA me faz lembrar o porque de eu gostar tanto de blogs, como sou feliz quando escrevo por prazer, por me fazer querer compartilhar histórias. Então mesmo com as adversidades, tentarei escrever ao máximo. Não tenho nenhum post programado, Deus me carregue nesses 28 dias. 


o grande corte


ou: O dia do meu bc 
ou melhor ainda: o dia que me descobri mulher negra 

Essa decisão não veio do dia pra noite, como se fosse fácil aceitar o seu cabelo (o ponto mais fragil de uma mulher negra). Não é fácil acordar depois de quase 10 anos e perceber que aquele que reflete no espelho não te representa mais. Doí. Vai la no fundo da alma e volta como um soco no estomago. Quando você começa entender que sua origens gritam por você a primeira coisa que você faz é olhar pro lado, fazer a egípcia e fingir que não é contigo. Mas é sim, todo esse boom que a internet gerou fortalecendo um movimento que vinha se arrastando a muito tempo, só reafirmou que nos precisávamos de espaços e quando digo espaço não me refiro apenas no quesito beleza, mas no quesito aceitação. 

Quando um tanto de preta começou a dar a cara tapa, seja no youtube, no blog, no Facebook ou na rua, outras pretas pensaram "Qual é? Posso fazer isso também.". Nós nunca tivemos um incentivo, sabe, aquela voz que chega e diz "Preta tu é linda sim". Quando você é uma menina, digo criança negra, você demora, mas acaba percebendo o tratamento diferente, os olhares, os julgamentos. Lembro-me de ser parada por um segurança em um mercado, minha mãe estava distante de mim naquele momento, ele chegou e disse "Não pode entrar com bolsa aqui", a minha bolsa era pequena, eu tinha uns oito anos. Enquanto me dirigia ao guarda-volumes uma menina branca, com a mesma idade que a minha passa por mim com uma bolsa 3 vezes maior, foi ali que eu percebi que racismo existia. 

Enquanto você é criança, os olhares não incomodam tanto, mas na adolescência tudo isso pesa. O seu cabelo não fica bom, as químicas dão errado, bate aquela tristeza porque você sonha em ter cabelo liso, você ainda não entende que o teu cabelo é lindo sim, seja ele com cachos ou não. Outro problema, que por sinal é um fator que evidencia as vezes a falta de informação, são mães que permitem que suas filhas alisem o cabelo quando criança. Não é por mal, falo isso por mim. Minha mãe sempre me encorajou a sair com cabelo natural, mas não era aquilo que eu precisava ouvir. Não necessariamente. Naquele momento eu precisava de mais, eu precisava de inspiração, de ver na novela, na rua, no mercado, na escola, alguém que pudesse olhar e me espelhar. 

Quando todo mundo se juntou e começou a postar vídeos no youtube, não foram só vídeos. Foi inspiração. Eu comecei a entender que além de mim tinha dezenas de minas pretas que também tinham medo de mostrar quem eram. E se eu to te contando tudo isso é pra te mostrar que não é fácil, você não acorda e fala pra você mesma "Ah acho que a partir de hoje vou cortar a química e a chapinha". Não, definitivamente não. É algo que vai te incomodando, vai te mostrando e você vai aceitando. O processo é diário, é difícil e muito doloroso em alguns casos. Comigo foi aos 19, mas tem mina ai com 15 que já impõe seus ideais e suas raízes. Não force a barra, isso é algo particular. 

Mas como aconteceu então? Eu entrei na faculdade, onde filho chora e a mãe não vê (literalmente). Comecei a ver as minas que eu precisava pra me inspirar, notei que nenhuma delas estavam infelizes. Todas elas com seu black e ninguém apontava e dizia que elas não tinham penteado o cabelo, aquilo foi me dando mais força. Você cresce e percebe que, a primeira opressão parte de você, eu não me aceitava, logo me oprimia. A minha transição (processo antes do grande corte, onde você fica sem química e com duas texturas no cabelo) durou 11 meses, nesse meio tempo eu decidi colocar tranças, mas você pode optar por fazer texturização, por exemplo. 

Foi em uma quinta-feira, eu vi meu cabelo sendo cortado e foi como se todo peso fosse tirado de mim. Me senti livre pela primeira vez, não sinto mais vergonha de ser quem eu realmente sou. Quero ser para uma menina negra o que eu precisava que alguém fosse pra mim. Quando eu passo e elas me olham, não estou apenas mostrando meu corte novo, estou plantando uma sementinha dentro delas e para os olhares tortos eu deixo a marca da senzala, em um rastro feito com muito carão e lacração.

Então, não tenha medo, eu estarei daqui, torcendo por você e por mim.